quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Um pouco sobre as Religiões de Matrizes Africanas no Brasil

"Aqui se acha uma das maiores concentrações de descendentes de africanos no Novo Mundo; aqui, além disso, em virtude da tradicional tolerância com que, no Brasil, todas as formas de vida foram e são enxergadas, conservaram-se numerosas instituições e modos de conduta africanos. O contato entre a Bahia e a África Ocidental, por outro lado, foi mais constante e se prolongou até uma data mais recente do que em qualquer outra parte do Novo Mundo" (Herskovits, M., Pesquisas Etnológicas na Bahia, 1967)
Esta introdução se encontra no livro de Júlio Braga, que é um resumo de sua tese apresentada e defendida na Universidade Nacional do Zaire, na África, para obtenção do título de doutor em Antropologia. (Braga, 1988).

Muita coisa mudou nestes 30 anos, entretanto, em se falando de cultura muitos aspectos devem ser considerados, especialmente no ponto de vista dos observadores e dos ambientes, pois nesses são criadas todas as possibilidades de interpretação, significados, abstrações, o que influencia e é influenciado. Toda sociedade é provida de sentido e significação. 

Na Bahia o candomblé é o nome pelo qual se designa as organizações religiosas em que se presta culto às divindades introduzidas pelos africanos durante o período da escravidão. 

"O candomblé é para a Bahia o mesmo que a macumba para o Rio de Janeiro, o xangô para Pernambuco, o vodu para o Haiti ou a santeria  para Cuba. Em seu conjunto, são religiões africanas que se perpetuaram nas Américas. São todas elas consequência imprevista do tráfico de escravos que ia buscar em diferentes pontos da costa africana a mão de obra necessária aos trabalhos das minas e às plantações de cana de açúcar, tabaco e café. Todos têm em comum o fato de serem a evocação e o chamado terreno dos deuses ancestrais, ao som de tambores, durante cerimônias em que sua memória é lembrada e reavivada, e laços que unem deuses e homens são restabelecidos, reafirmados, renovados. Diferem apenas nos detalhes do ritual, que é mais ou menos influenciado pelo Congo e por Angola no Rio de Janeiro, pelo Daomé no Haiti e em São Luiz do Maranhão, e pelos nagô-Iorubás na Bahia, Pernambuco, Cuba e na Ilha de Trinidad." (Verger, 1962).

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